O investimento na formação permanente dos profissionais de saúde marcou os meses de novembro e dezembro de 2025 nas unidades hospitalares de Guamaré, no Rio Grande do Norte. O Hospital Manoel Lucas de Miranda e a UPA Francisca Maria da Conceição promoveram dois encontros de formação continuada voltados ao aprimoramento técnico e humano de suas equipes.
A iniciativa reuniu cerca de 20 profissionais que atuam diretamente nos serviços assistenciais, reafirmando o compromisso institucional com a educação permanente e com a melhoria contínua da qualidade do atendimento prestado à população. As atividades formativas foram conduzidas pelo psicólogo e coordenador das unidades, Joseval_do Júnior, que abordou o tema “Saúde do homem: uma abordagem multidimensional”.
Mais do que uma capacitação teórica, os encontros ofereceram subsídios práticos para a identificação, análise e intervenção em situações complexas do cotidiano profissional, incluindo dilemas éticos e contextos de vulnerabilidade. O objetivo foi ampliar a segurança técnica, a autonomia profissional e a qualidade da assistência em saúde.
Ao longo da formação, Joseval_do Júnior ressaltou a necessidade de compreender a saúde do homem para além do modelo biomédico tradicional. A abordagem integrou dimensões sociais, psicológicas e culturais, destacando o respeito à diversidade e à pluralidade como elementos essenciais para um cuidado integral e humanizado.
Como estratégia para estimular a reflexão crítica, foi exibido o documentário “O Silêncio dos Homens” (2019), produzido pelo Coletivo Papo de Homem e disponível no YouTube. A obra problematiza a construção social da masculinidade no Brasil e seus impactos diretos na saúde masculina, especialmente no que diz respeito à negligência com o autocuidado.
Entre os dados apresentados no documentário, destacam-se indicadores alarmantes: 83% das mortes por causas violentas no país atingem homens, além de uma taxa de suicídio quase quatro vezes maior em comparação às mulheres. Esses fatores contribuem para uma expectativa de vida masculina aproximadamente sete anos inferior à feminina no Brasil.
Outro aspecto amplamente debatido foi a influência da masculinidade hegemônica na resistência dos homens em buscar cuidados preventivos, levando muitos a recorrerem aos serviços de saúde apenas em situações emergenciais, sobretudo nas Unidades de Pronto Atendimento. Questões sociais e raciais também integraram o debate, evidenciando como o racismo estrutural impacta negativamente o acesso e a qualidade da atenção à saúde da população masculina negra.
Dados epidemiológicos apresentados durante a formação indicam ainda que os casos de câncer entre homens podem crescer até 84% até 2050, com aumento estimado de quase 99% no número de óbitos no Brasil. O consumo excessivo de álcool e outras drogas foi apontado como fator agravante para quadros
