Uma história contada pode despertar a imaginação, provocar perguntas e abrir novas formas de enxergar o mundo. Foi com esse espírito que 28 crianças e adolescentes das Obras Sociais Missionários da Compaixão viveram, na última quinta-feira, 6 de agosto, uma manhã de cultura, literatura e descobertas durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), em Salvador.
A atividade, realizada em parceria com o Instituto Motiva, proporcionou aos participantes uma experiência de aprendizado para além dos espaços onde acontecem, cotidianamente, as atividades da instituição. Com idades entre 10 e 17 anos, eles participam das oficinas de Ballet, Capoeira e Jiu-Jitsu da Compaixão. Entre os 28 participantes, cinco são crianças atípicas, reafirmando o compromisso da instituição com o acolhimento, a inclusão e a participação de todos.
Acompanhado pela professora de Ballet Sirleide Sousa e pelas assistentes sociais Cinara Carvalho e Jamile Veloso, o grupo visitou a Casa Motiva – Vale do Dendê e o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB).
Histórias que atravessam o tempo e despertam a imaginação
Na Casa Motiva, a literatura ganhou voz, expressão e encontro. As crianças e adolescentes participaram de duas contações de histórias que integraram a programação da Flipelô.
Às 9h30, acompanharam “Kuumba conta histórias”, com Mayura Mattos (RS), que apresentou ao grupo a história de Anansi, figura mítica da África Ocidental. Por meio da oralidade e da imaginação, a narrativa aproximou as crianças de referências da cultura africana, transformando aquele momento em uma experiência de descoberta, escuta e valorização da ancestralidade.
Mais tarde, às 11h, foi a vez de “Cadê Tia Sueli?”, apresentada por Bruno Black (RJ), dando continuidade a uma manhã em que as histórias se tornaram caminhos para aprender, imaginar e compartilhar.
O contato com a literatura por meio da contação de histórias ampliou repertórios e criou novas possibilidades de vínculo com a cultura, a memória e as diferentes narrativas que ajudam a formar nossa identidade.
Arte, memória e pertencimento no MUNCAB
O passeio também levou o grupo ao Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB). Por meio de uma visita mediada, as crianças e adolescentes puderam observar diferentes expressões da produção artística afro-brasileira e conhecer obras que dialogam com temas como religiosidade, cotidiano, identidade e memória.
A exposição reúne trabalhos ligados à Escola de Escultores de Cachoeira, à Escola do Pelourinho e à Escola de Artífices da Ladeira da Conceição. Organizada em três núcleos curatoriais — “Restituir Sentidos – Amor, Festa e Devoção”, “Cotidianos” e “Escolas Invisíveis” —, a mostra apresenta esculturas, pinturas e gravuras de artistas como J. Cunha, Babalu, Sol Bahia, Alberto Pitta, Lídia Hora, Eduardo Santos Silva e Mauro di Verde, entre outros nomes ligados à arte produzida na Bahia.
Mais do que observar obras, a experiência permitiu descobrir histórias e ocupar um importante espaço de memória e cultura. Quando crianças e adolescentes conhecem a arte produzida em seu território e encontram nela referências que dialogam com sua história e sua comunidade, fortalecem-se os sentimentos de identidade e pertencimento.
Cuidado que também se faz com cultura
Para as Obras Sociais Missionários da Compaixão, proporcionar experiências como essa também é uma forma de cuidar. Acolher uma criança é compreender que seu desenvolvimento acontece em muitos espaços: na educação, no esporte, na convivência, na arte e no acesso à cultura.
É a humanização transformada em oportunidade. É permitir que crianças e adolescentes conheçam novos lugares, façam perguntas, ampliem seus horizontes e construam, pouco a pouco, mais autonomia para ocupar os diferentes espaços da sociedade.
O passeio cultural durante a Flipelô reafirma, assim, um trabalho que não se limita às oficinas realizadas diariamente. Cada nova experiência contribui para transformar perspectivas, fortalecer vínculos e oferecer às crianças e adolescentes oportunidades de descobrir o mundo e também reconhecer o valor da própria história.
Na mística de servir a Deus através dos pobres, a Compaixão acredita que oferecer acesso à educação e à cultura é também semear esperança, dignidade e possibilidades para o futuro.
Um convite à partilha
Para que mais crianças e adolescentes de São Cristóvão possam viver experiências de educação, esporte, cultura e cidadania, precisamos continuar construindo pontes.
Você também pode fazer parte dessa missão. Apoie as Obras Sociais Missionários da Compaixão e ajude-nos a ampliar oportunidades para nossas crianças e adolescentes. Porque partilhar também é abrir caminhos, fortalecer sonhos e transformar histórias.
A compaixão é a maturidade do amor.
